quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Globo e Lula – uma relação contraditória

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É no mínimo curiosa a relação entre a TV Globo e o Presidente Lula. Se no passado o Presidente criticava arduamente o canal e, numa edição parcial e tendenciosa de um debate, a emissora da família Marinho teria prejudicado o metalúrgico e fortalecido o empresário Fernando Collor, hoje a situação é notoriamente diferente.
Por mais que a emissora se mostre tucana, por mais que Lula tenha comparecido ao Recnov e discursado contra o monopólio televisivo, mais uma vez os acontecimentos vêm contradizendo os emocionais e inflamados discursos do Presidente – e, dessa vez, parece que não somente irão contradizê-los como também calá-los. Mais uma vez, na verdade, a Globo mostrará sua face governista -  e, pasmem, a favor do semi-analfabeto e “injustiçado” ex-líder sindical Luis Inácio Lula da Silva.
Amanhã, no primeiro dia de 2010 – às vésperas das eleições, vale ressaltar -  começa oficialmene nos cinemas de todo Brasil uma longa, poética, melodramática e “heróica” propaganda eleitoral para o Presidente da república. Dirigido por Fábio Barreto – o mesmo que, para ajudar nas vendas e na divulgação de Zezé di Camargo e Luciano, dirigiu “Dois Filhos de Francisco” -, “Lula o Filho do Brasil” promete – através de histórias bonitas, emocionantes, mas exageradamente dramatizadas, utópicas e apelativas – servir como uma forte campanha eleitoral não apenas para o PT em 2010 como também para Lula em eleições futuras. Trocando em miúdos – uma cartada que dificilmente não irá alavancar aínda mais a já imensa popularidade do Presidente mais aprovado da história do país.
Algumas questões, no entanto, inevitavelmente pairam no ar: Quem vai produzir o filme? A Globo Filmes. Quem comprou os direitos de transmissão do filme? A Rede Globo. Sim, pois é – é realmente cômico. Após anos de trocas de farpas entre os dois lados, anos depois de a emissora supostamente prejudicar Lula, eis que as organizações Globo decidem patrocinar e divulgar – não apenas através da compra dos direitos de exibição como também em reportagens em programas como Vídeo Show sobre o filme – o que no futuro deve vir a ser uma das mais fortes propagandas eleitorais do Presidente. Em resumo, um belo presente da Globo que o Presidente vai receber de braços abertos.
Essa situação lembra a polítia – em que num dia dois políticos são adversários, estão trocando acusações e, no outro, são aliados, melhores amigos e até se abraçam. No caso da Globo e do Lula, seria, afinal, um pedido indireto de desculpas ou simplesmente a constatação de que tal perseguição aos petistas jamais existiu por parte do canal como pintavam os inúmeros críticos de plantão? É esperar pra ver.
“Lula, o filho do Brasil” estreia amanhã (01/01/2010) em todos os cinemas do país.

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